Obra do filósofo italiano analisa como os conceitos de tempo, história e linguagem se entrelaçaram na cultura ocidental

Com rigor filológico e um amplo conjunto de referências, Giorgio Agamben examina a maneira pela qual os conceitos de tempo, história e linguagem se entrelaçaram na cultura ocidental, formando um complexo determinante para modernidade.
Agamben demonstra que a cronografia da historiografia moderna, longe de ser uma convenção neutra, é tributária da teologia cristã: a própria noção de história universal dependeria da “economia da salvação”. A crítica da modernidade, assim, não consistiria em recusar esses pressupostos, mas em desvelar continuamente sua estrutura. Para tanto, o autor mobiliza temas como o mundus romano, a transmissão da tradição, a distinção entre chronos, aion e kairós e os testemunhos de quem, diante da morte, viu a vida inteira passar em uma vertiginosa condensação.
O eixo do livro é a noção bíblica e messiânica de ‘resto’: não o que se perdeu, mas o que, em toda totalidade, persiste como não coincidência. Para Agamben, filosofia e poesia podem surgir como “um resto da língua”, e é a partir desse resto que se torna possível pensar a condição aparentemente sem saída do nosso tempo.
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Sobre o autor: Giorgio Agamben nasceu em Roma, em 1942, e é considerado um dos principais filósofos contemporâneos. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas e atravessa temáticas que vão da filologia à teoria política, da estética à teologia. É autor de A voz humana, Infância e história, Homo sacer, Estado de exceção, Profanações, entre outros.
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