Livro recente da socióloga Eva Illouz é considerado sua contribuição mais ambiciosa à sociologia das emoções

As emoções não são apenas perturbações individuais nem expressões de uma natureza interior irredutível. Na verdade, são limiares entre o Eu e o mundo, em que as normas da sociedade e as contradições de suas instituições se inscrevem como experiência vivida. As emoções revelam o próprio trabalho da sociedade no interior do indivíduo.
É a partir dessa premissa que Eva Illouz descreve a época culturalmente explosiva em que vivemos. Para tanto, subverte em certa medida o gesto freudiano que procurava decifrar as origens do mal-estar da civilização. Para Freud, o processo civilizatório exigiria uma renúncia aos instintos, impondo aos sujeitos a neurose e a culpa persistente. Illouz, por sua vez, interpreta o mal-estar a partir das contradições das emoções na modernidade, expondo desse modo os mecanismos ideológicos da política e da economia.
Não por acaso, o livro começa com a emoção da esperança. Afinal, a modernidade iluminista e sua noção de progresso definiram a esperança como categoria estruturante do sujeito. No entanto, como a autora nos mostra, a própria modernidade tardia, pós-1970, acabou solapando a esperança: a cultura do consumo a converteu em decepção e inveja; a meritocracia, em ressentimento; o nacionalismo, em nostalgia. Também a raiva, a vergonha e o ciúme não seriam déficits ou carências individuais, mas reações produzidas por instituições que as demandam e intensificam.
Para Illouz, a literatura, em particular o romance moderno, constitui um instrumento privilegiado para a sociologia das emoções, ao condensar psicologia individual e estrutura social em um só movimento. Com referências a autores tão diversos quanto Kleist, Proust, Ernaux e Ishiguro, aqui mobilizados com desen-voltura, Emoções explosivas tem uma ambição paradoxal e ousada: desviar o olhar das nossas subjetividades para decifrar a ideologia que estrutura as emoções do presente.
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Sobre a autora: Eva Illouz nasceu no Marrocos, em 1961, é diretora de estudos na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), em Paris, e professora de Sociologia na Universidade de Jerusalém. Autora de obras traduzidas para mais de vinte idiomas, foi reconhecida pela Academic Influence como uma das dez sociólogas mais influentes da última década.
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