A língua que resta

O tempo, a história, a linguagem

Giorgio Agamben


TRADUÇÃO Vinícius Honesko
Coleção:
R$ 72,00
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SOBRE O LIVRO
Com apuro filológico e um vasto conjunto de referências, Giorgio Agamben examina os modos pelos quais os conceitos de tempo, história e linguagem se entrelaçaram na cultura ocidental, formando um complexo determinante para a modernidade.
Ao lançar luz sobre a importância do ordenamento cronológico para a historiografia, o filósofo italiano desvenda uma cronografia constitutiva, uma escrita do tempo que, longe de ser convenção neutra, está marcada pela forte presença da teologia cristã. Tal presença seria tão intensa que mesmo aquilo que a modernidade compreende como história universal dependeria exclusivamente, nas palavras do autor, da ‘economia da salvação’. Pressupostos que reputamos científicos seriam tributários de uma matriz teológica não reconhecida.
Assim, o objeto de investigação histórica só pode aparecer no horizonte dado pela escatologia cristã. A crítica da modernidade, por sua vez, não deveria exigir a recusa simples e arbitrária desses pressupostos, mas o desvelar contínuo de sua estrutura própria. Para elucidar o argumento, uma notável constelação temática é mobilizada no livro: desde a discussão sobre o mundus que, nas cidades romanas, estabelecia a comunicação entre o passado e o presente; o estatuto da tradição e da transmissão dos discursos; a heterogeneidade entre chronos, o tempo quantitativo e mensurável, aion, o tempo qualitativo da experiência, e kairós, em que o quantitativo e o qualitativo coincidem; até o testemunho daqueles que estiveram próximos da morte e viram desfilar diante de seus olhos todos os eventos de sua vida em uma vertiginosa condensação.
No entanto, é a noção de resto, tomada da tradição bíblica e messiânica, que articula o conjunto destas reflexões. Resto, aqui, não designa o que se perdeu nos esquemas narrativos tradicionais, mas o princípio que resiste à identificação de algo consigo mesmo, aquilo que, no interior de qualquer totalidade, insiste como não coincidência.
Por isso, para Agamben, a filosofia e a poesia, uma vez dissociadas das funções comunicativas da linguagem, podem aparecer como ‘um resto da língua’. E se ‘o que resta, a parte da vida e da língua que salvamos da ruína, entretém uma relação particular com o perdido’, é a partir desse resto que podemos pensar a condição aparentemente sem saída do nosso tempo.
ANO DE LANÇAMENTO 2026
ISBN 978658314013-5
ACABAMENTO Brochura
FORMATO 13,5 cm × 21 cm
PESO 0,265 kg
PÁGINAS 208
TÍTULO ORIGINAL La lingua che resta – Il tempo, la storia, il linguaggio
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Autor

Giorgio Agamben nasceu em Roma, em 1942, e é considerado um dos principais filósofos contemporâneos. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas e atravessa temáticas que vão da filologia à teoria política, da estética à teologia. É autor de A voz humana, Infância e história, Homo sacer, Estado de exceção, Profanações, entre outros.

Foto: Cláudio Oliveira

O que falaram do livro
A autora explica, com beleza, que esse sentimento que nos domina e altera nossa relação com o mundo é uma ficção escolhida, adorável, humana, um fato de cultura”.
CATERINA KOLTAI
Psicanalista, autora de Política e psicanálise: o estrangeiro
Um registro profundo sobre o sentimento de estar em casa e sobre a ausência desse sentimento, escrito por uma das pensadoras francesas mais importantes e originais de nosso tempo”.
Simon Critchley
Professor da The New School for Social Research
Cassin busca nos conduzir, a partir do que há de comum na experiência de Ulisses na “Odisseia”, de Eneias na “Eneida” e de Hannah Arendt no exílio, a “um pensamento mais amplo, mais acolhedor, […] uma visão do mundo livre de todos os pertencimentos”.
Bernardo Carvalho
Romancista, autor de Nove noites
Uma obra brilhante na qual Cassin nos convida a fazer bom uso desse sentimento ambíguo, agradável e, por vezes, perigoso”.
L’EXPRESS
Trechos do livro
  • A cronologia que o cristianismo transmitiu à modernidade é uma cronologia teológico-filosófica, porque ela, mesmo contendo elementos presentes nas cronologias políticas e cultuais, integra-os na perspectiva de uma história universal, cuja inteligibilidade depende exclusivamente da economia divina da salvação [...] A máquina histórica da modernidade é, portanto, uma máquina bipolar, fundada na tensão e na articulação de dois tempos heterogêneos: chronos e aion, tempo quantitativo e mensurável e tempo qualitativo não mensurável, tempo cronológico e tempo escatológico.
  • A filosofia busca, com efeito, apreender a implicação entre ser e linguagem, dizer não simplesmente as coisas nem apenas a língua, mas a própria conexão entre a linguagem e o mundo, que constitui a língua como língua e o ser como ser. A palavra, que diz e expõe essa implicação, não pode ser um discurso de algo – deve, antes, dizer a língua mesma enquanto diz o ente e o ente enquanto é dito na língua, sem dispor, para tal fim, de nenhuma metalinguagem que a permita tomar a língua como objeto. 
  • Se a história tem uma assinatura teológica, é preciso não a reprimir, como acontece na secularização, mas expor sua estrutura própria, algo que chamamos de “diferença escatológica”. É o que faz Benjamin na primeira tese, revelando que o fantoche da “filosofia da história” é na verdade movido pelas mãos da teologia.[...]Toda concepção da história da modernidade carrega consigo essa assinatura teológica e implica sempre, portanto, uma dupla estrutura. Quando Benedetto Croce enuncia o princípio segundo o qual toda a história é história contemporânea, pois não pode ser separada do sujeito que a pensa e conhece aqui e agora, ou quando Santo Agostinho afirma que não há passado e futuro, mas apenas um praesens de praeteritum e um praesens de futuris, é algo similar que eles têm em mente.

Índice do livro

I. Aion e Chronos. Novas teses sobre o conceito da história
II. Recapitulação e salvação
III. A tradição e sua fonte
IV. Mundus patet
V. História e escatologia. Considerações sobre o Anticristo
VI. A verdade, o tempo e a história
VII. A língua que resta

Lista das imagens
Bibliografia
Notas
Índice onomástico

VÍDEOS E PODCASTS
A língua que resta
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