O pensamento ecológico

Timothy Morton


TRADUÇÃO  Renato Prelorentzou
POSFÁCIO  Rodrigo Petronio
TEXTO DE ORELHA  Ana Rüsche
1ª reimpressão
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SOBRE O LIVRO
Será que precisamos dos conceitos de "natureza" ou "meio ambiente" para lidarmos com o aquecimento global? Ao elaborar uma resposta, Timothy Morton oferece também uma das melhores introduções à sua filosofia. Neste livro, noções como “ecologia sem natureza”, “estranho estrangeiro”, “malha”, “hiperobjetos” são apresentadas com rigor, leveza e humor.
Além de referências fundamentais da história da filosofia, Morton utiliza exemplos da poesia, das artes visuais, da música, do cinema e da cultura pop, passando por fenômenos comportamentais contemporâneos: de Darwin a Blade Runner, de Wordsworth a Björk e Levinas, de Mallarmé a Stanley Kubrick. O livro busca reconceitualizar aquilo que entendemos por “ecologia”. Pois, para Morton, as concepções teóricas tradicionais, longe de contribuir para o enfrentamento da catástrofe ambiental, podem, ao contrário, intensificá-la.
No plano da ação política, Morton rejeita o "agir localmente" em favor de um "pensar grande" global, acompanhado de princípios éticos universais como responsabilidade, cooperação, simpatia e perplexidade. Sua crítica ao capitalismo como modo de formação de subjetividades nos convida a interagir em todas as escalas: com o estranho, com o não-humano, com os hiperobjetos.
Em três capítulos concisos, o livro apresenta as implicações estéticas e políticas decorrentes do fato de que as formas de vida estão interconectadas em uma vasta malha. O que denominamos “natureza” simplesmente não existe como entidade separada de elementos considerados “artificiais”, “culturais” ou “conscientes” da vida.
O pensamento ecológico propõe, com isso, uma compreensão inesperada sobre os impasses teóricos e práticos que estão na origem das mudanças climáticas atuais.
ANO DE LANÇAMENTO 2023
ISBN 978659979523-7
CAPA Alles Blau
IMAGEM DE CAPA E 4a CAPA Man & Wah
ACABAMENTO Brochura
FORMATO 13,5 × 21 cm
PESO 0,310 kg
PÁGINAS 256
TÍTULO ORIGINAL The Ecological Thought
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AUTOR

Timothy Morton nasceu em Londres, em 1968, e leciona literatura inglesa na Rice University (Houston). Realizou projetos com vários artistas como Björk, Olafur Eliasson, Sabrina Scott. Escreveu livros e ensaios sobre filosofia, ecologia, crítica literária e artes visuais. Em 2020, a revista Prospect incluiu Morton entre os 50 pensadores mais influentes do nosso tempo.

O QUE FALARAM DO LIVRO
Imaginar a escala. Esse é um dos desafios do debate ecológico que esta obra de Timothy Morton procura resolver. Como imaginar 4,5 bilhões de anos? Como testemunhar a Sexta Extinção em Massa? Como existir diante dessas enormidades? […] O pensamento ecológico é uma obra essencial para o debate contemporâneo, inclusive no Sul Global, um convite a observar a Terra como um mundo alienígena e, ao mesmo tempo, próprio. Um chamado ao estranhar-se e ao habitar-se. Um começo ao debate ético e político.

ANA RÜSCHE

escritora e pesquisadora no departamento de Teoria Literária da Universidade de São Paulo
Um dos imperativos para essa nova ecologia é a formulação de novos conceitos: hiperobjetos, solidariedade, interconectividade, malha, estranho estrangeiro (strange stranger), pessoalidade, coexistência (…) O pensamento ecológico é a melhor introdução a essa selva selvagem de conceitos, pois sumariza os principais pontos da teoria de Morton sobre ecologia e as principais referências do debate contemporâneo. Além de ser uma das melhores entradas para o conceito de ecologia de seu pensamento, este livro é a primeira obra de Morton publicada no Brasil. 

RODRIGO PETRONIO
escritor, filósofo, professor titular da FAAP
Morton é considerado um dos filósofos mais influentes da atualidade (…) O pensamento ecológico, primeiro livro do autor traduzido no país e um marco na sua obra, propõe uma ecologia progressista, detida em uma dimensão macro da nossa concepção de meio ambiente – e não pequena, como concebemos o cuidado com o mundo natural durante muito tempo, restringindo-o a uma ingênua atuação individual”

LEONARDO PIANA
resenha em “O Estado de São Paulo”
A grande força deste livro é sua inventividade de gênero, e sua principal contribuição é a exposição de um pensamento fundamental para nosso tempo e nosso lugar, um pensamento com implicações éticas imediatas. O pensamento ecológico é um livro crucial neste momento.

MARJORIE LEVINSON
professora de literatura inglesa na Universidade de Michigan
Morton propõe um futuro no qual as idéias de “natureza” e “meio ambiente” se tornam detritos inúteis para enfrentarmos a catástrofe ecológica que se aproxima. O livro traz aquela erudição “séria” nas ciências humanas que Morton defende. Minha cabeça ainda está rodopiando.

NOEL CASTREE
geógrafo e professor da Universidade de Manchester
TRECHOS DO LIVRO
  • Este livro demonstra que a ecologia não tem a ver somente com aquecimento global, reciclagem e energia solar – nem apenas com as relações cotidianas entre humanos e não humanos. Tem a ver com amor, perda, desespero e compaixão. Tem a ver com depressão e psicose. Com o capitalismo e com o que pode existir depois do capitalismo. Tem a ver com espanto, mente aberta e maravilhamento. Com dúvida, confusão e ceticismo. Com conceitos de espaço e tempo. Com deleite, beleza, feiura, nojo, ironia e dor. Consciência e percepção. Ideologia e crítica. Leitura e escrita. Tem a ver com raça, classe e gênero. Com sexualidade. Com ideias sobre o eu e os estranhos paradoxos da subjetividade. Tem a ver com a sociedade. Tem a ver com coexistência.

  • Por que chamar este livro de O pensamento ecológico? Por que não Um pensamento ecológico ou Alguns pensamentos ecológicos? Ou, mais modestamente, Notas para um pensamento ecológico? Ou só Pensamento ecológico? Claro que existem pensamentos ecológicos, no plural. E este livro não tem o monopólio sobre o pensamento ecológico. Mas há um tipo particular de pensamento que chamo de o pensamento ecológico. Ele passa como uma fita de código de dna por milhares de outros tipos de pensamentos. Além disso, a forma do pensamento ecológico é pelo menos tão importante quanto seu conteúdo. Não é simplesmente uma questão sobre o que você está pensando. É também uma questão sobre como você pensa. Quando você começa a pensar o pensamento ecológico, não consegue mais des-pensar [unthink].

  • Encontramos a ecologia até mesmo no limite do dualismo. Descartes argumentou que os animais eram máquinas insensíveis que os humanos podiam dissecar impunemente. E promoveu um dualismo de sujeito e objeto que muitas pessoas consideram ser uma das bases da catástrofe ecológica. Mas o próprio Descartes começa as Meditações com a ideia de um ambiente: ele está confortavelmente sentado junto à lareira, segurando a página que estamos lendo. A dúvida, intrínseca ao pensamento ecológico, começa com um pensamento junto a esse fogo: este sou eu mesmo? Como posso saber? Não devemos banir esses pensamentos de uma sociedade ecológica. Longe de ser a sentença de morte para a harmonia humana com o mundo, a consciência dubitativa de Descartes é profundamente ecológica. A dúvida honesta ganha mais fé quando se tateia o pensamento ecológico como um cego.

  • O ambientalismo é muitas vezes apocalíptico. Anuncia e esconjura o fim do mundo. O título Primavera silenciosa, de Rachel Carson, diz tudo. Mas não é bem assim: o fim do mundo já aconteceu. Pulverizamos DDT. Explodimos bombas nucleares. Mudamos o clima. É assim que as coisas ficam depois do fim do mundo. O fim da história não é hoje. Estamos vivendo o começo da história. O pensamento ecológico pensa adiante. Sabe que estamos só começando, como quem acorda de um sonho.

    Somos responsáveis pelo aquecimento global. Formalmente responsáveis, quer o tenhamos causado ou não, quer possamos prová-lo ou não. Somos responsáveis pelo aquecimento global simplesmente porque somos sencientes. Não é necessária nenhuma outra razão mais elaborada. Se você acha que é necessária uma razão mais elaborada, pense o seguinte:

    Quando você vê uma criança prestes a ser atropelada por um caminhão, será que você diz “Não sou diretamente responsável pela morte dela, então não vou ajudá-la”? Quando sua casa está pegando fogo, você diz “Bom, não fui eu que comecei o incêndio, então não sou responsável por apagá-lo”? A grande diferença é que, ao contrário da criança e da casa, você não consegue ver o clima.

ÍNDICE DO LIVRO

Introdução: Pensamento crítico

1. Pensar grande

2. Pensamentos sombrios

3. Pensar adiante

Agradecimentos

Notas

Posfácio à edição brasileira

Índice onomástico

VÍDEOS E PODCASTS
O pensamento ecológico
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