Emoções explosivas

Como a sociedade moderna estrutura o que sentimos

Eva Illouz


TRADUÇÃO  Bruno Carvalho
Coleção:
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SOBRE O LIVRO
Vivemos em um momento cultural explosivo: insatisfação com as instituições democráticas, desigualdade econômica crescente, conflitos identitários, vínculos sociais fragilizados com o avanço das novas tecnologias. São inúmeros os sintomas de um profundo mal-estar social e civilizatório.
Emoções explosivas investiga as origens desse descontentamento por meio de uma análise das emoções fundamentais para a modernidade, como esperança, inveja, raiva, medo, nostalgia, vergonha e amor. Partindo de referências principalmente literárias, mas também da filosofia e do entretenimento, Eva Illouz mostra, de forma singular e precisa, que as emoções não são impulsos meramente individuais, mas extensões das dinâmicas da sociedade atuando no interior do próprio sujeito.
Em dez capítulos, cada um dedicado a uma emoção específica, Illouz desvenda as conexões entre economia, política e nossos afetos, oferecendo perspectivas inusitadas sobre fenômenos como o declínio da democracia norte-americana, a luta da vida sob o capitalismo e os conflitos em torno das noções de identidade. 
Contudo, as análises sociológicas da autora, assim como o conjunto de suas descrições históricas e reflexões filosóficas, permanecem ligadas ao eixo fundamental que mobiliza este livro: o cânone da literatura, da Antiguidade aos dias atuais, de Safo a Annie Ernaux. Personagens como Emma Bovary, Michael Kohlhaas e William Stoner dão vida às emoções centrais de nossa modernidade explosiva, encarnando suas contradições trágicas.
Emoções explosivas tem, desse modo, uma ambição paradoxal e ousada: desviar o olhar das nossas subjetividades para decifrar, a partir da literatura, a ideologia que estrutura as emoções do presente.
ANO DE LANÇAMENTO 2026
ISBN 978658314010-4
ACABAMENTO Brochura
CAPA Mateus Valadares
FORMATO 21 cm × 14 cm
PESO 0,510 kg
PÁGINAS 432
TÍTULO ORIGINAL Explosive Emotions: How Modern Society Shapes What We Feel
Autora

Eva Illouz nasceu no Marrocos, em 1961, é diretora de estudos na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), em Paris, e professora de Sociologia na Universidade Hebraica de Jerusalém. Autora de obras traduzidas para mais de vinte idiomas, foi reconhecida pela Academic Influence como uma das dez sociólogas mais influentes da última década.

Foto: Amrei Marie | CC-BY-SA

O que falaram do livro
Um livro de Eva Illouz é sempre uma experiência marcante. Como ninguém no campo da análise social, ela procura decifrar ao mesmo tempo nossa racionalidade e nossos afetos.”
REVISTA DER SPIEGEL
[O livro traz] inúmeras observações esclarecedoras sobre a gênese dos atuais campos de batalha ideológicos (questões em torno da identidade, do racismo e da banalização do terrorismo), todas a partir da perspectiva de uma teoria das emoções.”
Marianna Lieder
Frankfurter Allgemeine Zeitung
Neste livro monumental, Illouz oferece sua contribuição mais ambiciosa à sociologia das emoções. Ao aproximar as ciências sociais dos estudos literários, expõe as fissuras de um mundo fragmentado.”
William Davies
sociólogo e autor de A indústria da felicidade
Em uma análise abrangente que vai de Marx a Freud, Eva Illouz mobiliza seu olhar sociológico para examinar como o capitalismo e a internet semearam desejos, medos e ressentimentos de modo a comprometer a democracia moderna. Raramente um livro dessa envergadura se mostra tão atual e pertinente. Não há nada parecido na área.”
Kathryn Lively
professora de sociologia na Dartmouth College (EUA)
Trechos do livro
  • De que forma a modernidade, esse conceito vago e complexo, se desenvolveu no interior da nossa vida emocional? Essa é a questão principal de meu livro. Mais especificamente, procuro entender um mal-estar específico do início do século 21 por meio das lentes interpretativas de doze emoções, que tanto representam quanto esclarecem o enigma de nossos tempos. É importante notar que Freud explorou uma hipótese semelhante no início do século 20, quando se esforçou para esclarecer o mal-estar de sua época por meio da emoção da culpa. Mas, embora Freud tenha explicado o clima cada vez mais violento da Europa interpretando a sociedade como se ela fosse influenciada por mecanismos psíquicos (de repressão, principalmente), aqui eu faço o contrário: leio nas emoções os mecanismos sociais. Obviamente, as doze emoções sobre as quais me concentro existem há bastante tempo na cultura da Europa Ocidental, e continuamos a usar seus nomes. Entretanto, nas instituições centrais da modernidade, essas emoções adquirem um novo significado: a cultura do consumo reformulou a esperança, a decepção, a inveja e o ressentimento. A democracia e as ideologias de igualdade, justiça e segurança associadas a ela reorganizaram a inveja, a raiva e o medo, ao passo que o nacionalismo fez o mesmo em relação ao sentimento de desamparo e nostalgia. E, talvez o mais óbvio, a contestação ao patriarcado e à heterossexualidade como norma teve impactos descomunais sobre a vergonha, o orgulho, o ciúme e o amor.
  • Uma vez que as emoções são sociais, elas possuem uma gramática cultural e social compartilhada que nos ajuda a especular sobre sentimentos alheios, inferir os afetos de personagens reais ou fictícios, imaginar suas reações emocionais. Podemos fazer isso porque compartilhamos o conhecimento das regras e normas que fundamentam nossas emoções. A linguagem desempenha um papel crucial nisso. As palavras que designam emoções, especialmente aquelas mais marcantes em uma cultura qualquer, atuam como poderosos ímãs: atraem para si partículas dispersas da nossa interioridade. Exemplo: um homem despreza você; o que você realmente sentirá, a maneira pela qual você nomeará essa emoção e o que fará com ela depende muito de você ser homem ou mulher, de ser regido por uma ética aristocrática da honra, uma ética cristã do perdão ou uma ética masculina de autocontrole racional. Você pode sentir uma variedade de emoções conflitantes, mas privilegiará uma – raiva, desprezo, mágoa ou medo – dependendo de sua identidade, posição social e crenças morais elementares. Sarcasmo, desdém, silêncio, irritação, recuo ou disposição para briga são reações possíveis para um mesmo acontecimento.
  • Nas páginas a seguir, discutirei as emoções utilizando um corpus de textos literários escolhidos de forma meio arbitrária. Estou longe de ser a primeira a usar a literatura como suporte para discutir as emoções. Martha Nussbaum foi uma notável pioneira no gênero. No entanto, ao contrário de sua abordagem, não estou interessada em discutir o caráter normativo e moral das emoções, ou seja, quais emoções seriam ou não inadequadas à democracia, por exemplo. A literatura me ajuda, se não a definir, a pelo menos delinear os dilemas sociológicos contidos em uma emoção, à medida que esta evoluiu na contemporaneidade. Utilizo, na maior parte das vezes, textos literários conhecidos, pois estão amplamente presentes em nossa cultura. Eles são uma fonte duradoura de autocompreensão coletiva, constituindo, assim, um ponto de partida para uma reflexão sociológica sobre determinada emoção. Romances (especialmente os realistas) contêm uma “realidade ética”, no sentido de que lidam com os hábitos individuais e coletivos, com o comportamento, as atitudes e as paixões dos personagens. As emoções dos personagens derivam de um conjunto de problemas e situações que refletem hábitos éticos de uma sociedade, seja porque refletem esses hábitos, seja porque rompem com eles. (...) O romance é particularmente adequado para a sociologia das emoções porque, como afirmou Marcel Proust: “Mais do que o pintor, a quem é necessário ver muitas igrejas para pintar uma, o escritor, se quiser alcançar o volume, a consistência, a generalidade, a realidade literária, precisa de vários seres para um só sentimento”. Assim como os escritores de ficção, os sociólogos estão atentos à dimensão geral da experiência individual.

Índice do livro
Prefácio

Introdução: A cultura das emoções e seu mal-estar

Parte I. O sonho americano: uma distopia emocional?
1. O sublime e o cruel na esperança
2. O gosto amargo da decepção
3. Inveja: a emoção muda

Parte II. As emoções do nacionalismo e da democracia
4. Raiva: o enigma da alma
5. Medo e a política da vulnerabilidade
6. Nostalgia e a ausência de um lar: quando se inventam lares perdidos

Parte III. Intimidade implosiva
7. Vergonha e orgulho: como os outros nos definem
8. Ciúme: a força que criamos para nós mesmos
9. Amor: da transgressão à complexidade

Coda: O poder das emoções

Agradecimentos
Notas
Índice onomástico
VÍDEOS E PODCASTS
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