O divã e a bússola
Consultar frete e prazo de entrega

| Formas de envios |
Aproveite o frete grátis para todo o país em pedidos acima de R$ 150
Podemos dizer que a estrangeiridade é mais do que simples contingência histórica para a psicanálise. É seu traço constitutivo, irredutível, ainda que por vezes esquecido. A psicanálise nasceu estrangeira e só encontra sua legitimidade quando preserva essa condição.
É essa constatação que mobiliza os textos interdisciplinares deste livro. De saída, Horenstein recorre a um neologismo russo – остранение – que já em sua grafia materializa, para nós, aquilo que será enunciado: o estranhamento como princípio. Tornar estranho o familiar, escutar a própria língua como um estrangeiro, ocupar na cidade o lugar do meteco grego, nem dentro nem fora, nunca inteiramente assimilado: tais são os objetivos da psicanálise, que ameaçam se perder quando ela se normatiza.
O livro percorre territórios inesperados para um ensaio psicanalítico, como a tabela periódica de Mendeleiev e seus espaços vazios, a arte postal de Eugenio Dittborn, as teias colaborativas de Tomás Saraceno, o terroir das vinícolas, a geopolítica do saber analítico. Em cada um desses desvios, o argumento se reitera: a psicanálise só preserva sua força quando se reconhece como corpo estranho, marginal e inassimilável ao lugar onde é praticada; uma tese especialmente cara para nós, latino-americanos.
Escrito entre duas viagens, O divã e a bússola interessa não apenas a quem pratica ou deseja praticar a psicanálise, mas principalmente ao leitor que percebe em si mesmo algo da condição estrangeira.
ANO DE LANÇAMENTO 2026
ISBN 978658314012-8
CAPA Alles Blau
ACABAMENTO Brochura
FORMATO 13,5 cm × 21 cm
PESO 0,240 kg
PÁGINAS 224
TÍTULO ORIGINAL Brújula y diván – El psicoanálisis y su necesaria extranjería
Autor

Mariano Horenstein é psicanalista argentino, membro da Federación Psicoanalítica Latinoamericana (FEPAL). Foi representante latino-americano no conselho da Associação Psicanalítica Internacional (IPA) e editor-chefe da Calibán – Revista Latino-Americana de Psicanálise. Atua como professor e conferencista em instituições psicanalíticas, museus e universidades nas Américas, na Europa e na Ásia.
O que falaram do livro
A autora explica, com beleza, que esse sentimento que nos domina e altera nossa relação com o mundo é uma ficção escolhida, adorável, humana, um fato de cultura”.
Julián Fuks
Colunista e autor de A resistência
Um registro profundo sobre o sentimento de estar em casa e sobre a ausência desse sentimento, escrito por uma das pensadoras francesas mais importantes e originais de nosso tempo”.
Simon Critchley
Professor da The New School for Social Research
Cassin busca nos conduzir, a partir do que há de comum na experiência de Ulisses na “Odisseia”, de Eneias na “Eneida” e de Hannah Arendt no exílio, a “um pensamento mais amplo, mais acolhedor, […] uma visão do mundo livre de todos os pertencimentos”.
Bernardo Carvalho
Romancista, autor de Nove noites
Uma obra brilhante na qual Cassin nos convida a fazer bom uso desse sentimento ambíguo, agradável e, por vezes, perigoso”.
L’EXPRESS
Trechos do livro
Enquanto movimento, a psicanálise é movida por um duplo jogo de forças: se pela força centrípeta se mantém imantada em direção a um centro (tanto em termos de identidade histórica e institucional quanto de critérios de formação, ideais e textos fundadores), é pela força centrífuga que se projeta para as margens onde aparece problematizada, interrogada, aberta ao porvir. Se de um lado está a tradição, do outro esperamos a invenção. A psicanálise precisa, para continuar empenhada nessa luta permanente contra a entropia, de uma interlocução com o Outro. Esse Outro poderá ser outra teoria, outra língua ou outra disciplina, mas não há Outridade mais absoluta do que aquilo que o Oriente encarna para o Ocidente.
Um consultório analítico é um lugar extraterritorial em qualquer cidade em que se situe, um tipo de embaixada de um país de um único habitante. Só um lugar assim pode acolher uma disciplina tão extraterritorial como a psicanálise, onde boa parte das balizas que organizam o mundo social, da cortesia dos cumprimentos ao roçar dos corpos, da troca amável de palavras à horizontalidade dos vínculos, fica em suspenso
Índice do livro
Prefácio à edição brasileira
остранение
Crime por encomenda
O urso polar antártico
Os impasses da autoctonia
Curar-se da autoctonia
Tornar-se estrangeiro
A possibilidade de uma ilha
O mapa, o território (Asakusa)
O lugar das teorias (o urso)
A teoria como lugar vazio a ser explorado
Ilusões teóricas
Cartografar o mundo outra vez (Bispo)
A estratégia da aranha (Saraceno)
Que psicanálise?
Ao fim e ao cabo, a estrangeiridade
Geografia como destino (a baleia)
Então, que geografia?
O que é um lugar? Uma fábula real
Tempo e espaço
O lugar da análise
Elogio da distância
Lococentrismo ou como abrir lugar para o lugar
Terroir
GPS
Juliette Binoche, psicanalista
Efeitos de tradução
A máquina de produzir estranhamento
A bússola e a poltrona bergère
A legião estrangeira
Um meteco em Atenas
Ostranenie
Epílogo
Coda: sobre o mistério
Imagens
Bibliografia







